Partilha de bens no divórcio não pode ser feita por contrato particular, decide terceira turma
A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que a partilha dos bens no divórcio deve ser realizada através de ação judicial própria ou por escritura pública, não sendo válida a utilização de instrumento particular para tanto.
Com esse entendimento, o Colegiado manteve a determinação do
Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) para que uma ação de partilha,
ajuizada pela mulher contra o ex-marido, tivesse prosseguimento em primeira
instância.
A ação havia sido ajuizada pela ex-mulher, sob o fundamento
de que o divórcio havia sido realizado por escritura pública, após 15 anos de
casamento sob o regime de comunhão de bens e sem filhos, e a respectiva
partilha de bens em momento posterior, através de acordo celebrado através de
documento particular. Alegou, no entanto, que posteriormente, teria descoberto
bens do casal que teriam sido omitidos do ex-cônjuge, e constatado que as cotas
de uma empresa que lhe couberam na referida partilha, estavam vinculadas a
dívidas, o que teria inviabilizado a atividade empresarial e sua própria
subsistência.
Em primeiro grau, o processo foi extinto sem resolução
de mérito, sob o fundamento de que o instrumento particular seria válido,
já que teria sido firmado de forma livre e consciente pelas partes, sendo que
eventual discussão deveria ocorrer através de ação anulatória ou através de
ação de sobrepartilha de bens.
Referida sentença foi reformada pelo Tribunal de Justiça do
Rio de Janeiro, que determinou o retorno dos autos à origem para análise da
partilha de bens. Para a Corte, não poderia ser reconhecida a validade daquele
acordo de partilha, porque não observada a forma exigida em lei.
Referida decisão foi mantida pelo Superior Tribunal de
Justiça. Ao analisar o caso, em razão de interposição de Recurso Especial por
parte do ex-marido, a Ministra Relatora, Nancy Andrighi, mencionou que o Código
de Processo Civil autoriza o divórcio, separação ou dissolução de união estável
através de escritura pública, quando houver consenso entre as partes,
inexistirem filhos incapazes e forem atendidos os requisitos legais, conforme
regras da Resolução
35/2007 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A Ministra ressaltou
que o acordo extrajudicial de partilha de bens no divórcio visa a simplificação
do procedimento de partilha, mas exige requisitos que garantem segurança
jurídica, e por isso só pode ser considerado válido se observar as formalidades
legais, especialmente a exigência de escritura pública, que deve ser realizada
em cartório, como prevê o Código de Processo Civil.